A reação de senadores ao anúncio feito hoje pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, de uma Medida Provisória que, na prática, anula a desoneração da folha de pagamentos de 17 setores beneficiados já era esperada pela articulação política do governo.
O projeto da desoneração foi aprovado, o presidente Lula o vetou e o Congresso derrubou seu veto. Os parlamentares disseram que vai haver resistência à MP, com risco de o texto ser devolvido ao Executivo sem ao menos ser apreciado.
Faltou, na opinião de uma liderança petista em conversa com o Bastidor nesta quinta-feira (28), uma maior presença de Haddad no Senado. Segundo ele, pela proximidade que tem com Arthur Lira (PP-AL), Haddad priorizou a relação com a Câmara, onde o ambiente é mais hostil ao governo. Foi menos ao Senado.
A liderança diz ainda que os senadores usarão da matéria para forçar mudanças nos ministérios. O Bastidor já noticiou, por exemplo, a insatisfação do PSD do Senado com o espaço no governo – o PSD tem três ministérios. Lula já sinalizou com uma minirreforma para os primeiros meses de 2024.
Há, na articulação do governo a percepção de que Haddad demorou para apresentar alternativas ao projeto que prorrogou a desoneração da folha de pagamento.
A sensação é que aprovar a MP sairá mais caro do que a derrota do governo na derrubada do veto do projeto de lei aprovado no Senado.

