Aliados do ex-presidente Lula e candidatos à Presidência usaram as redes sociais para condenar a morte de mais um petista, depois de uma discussão, no interior do Mato Grosso. O crime aconteceu no dia 7 de setembro, data que marcou os 200 anos da Independência do Brasil.
A presidente do partido e candidata à reeleição na Câmara, Gleisi Hoffmann, disse que o culpado pelo crime é o presidente Jair Bolsonaro, que usa os discursos para inflamar os apoiadores contra quem tem posicionamento diferente. “O comando de violência que dá Bolsonaro para extirpar Lula e os petistas leva a isso. O assassino é vc Bolsonaro!”
O senador Humberto Costa, uma das principais lideranças petistas na Casa, pediu paz e afirmou que o “bolsonarismo mata”.
Simone Tebet, adversária de Lula e Bolsonaro na disputa presidencial, também condenou o crime, mas aproveitou a situação para pedir votos indiretamente. “O presidente, como representante do povo, precisa clamar por paz e união. A incitação ao ódio leva à violência, que faz mais uma vítima. Chega de briga! Chega de divisão! Enquanto eles separam o Brasil, nós vamos uni-lo com amor e coragem!”, disse no Twitter.
Ciro Gomes, que tem aparecido em terceiro lugar nas pesquisas, foi na mesma linha de Tebet, mas não pediu votos. “Mais uma vítima da guerra fratricida, semeada por uma polarização irracional e odienta que pode inundar de sangue o nosso solo. Abaixo a violência política. O Brasil quer paz!”.
A senadora Soraya Thronicke, que também tenta a vaga no Planalto, foi outra que criticou a polarização promovida pelos líderes nas pesquisas. “Estamos regredindo de mãos dadas com a barbárie. Tem gente morrendo no Brasil por causa de adversidade política e partidária. Enquanto eles brigam, quem apanha é o povo brasileiro. Envergonham o País com corrupção, nos distraem com a polarização e, além disso, derramam sangue alheio”.
Lula ainda não se pronunciou a respeito da morte. Ele participa, ao lado de Geraldo Alckmin, de um evento com evangélicos, em São Gonçalo, no Rio de Janeiro.
Já no lado de Bolsonaro, nem o presidente, nem apoiadores mais próximos publicaram qualquer manifestação a respeito do crime. Curiosamente, a última postagem do candidato a vice, general Braga Netto, até a publicação desta reportagem, era um vídeo comemorando a queda no número de homicídios durante a gestão atual.
Entenda o caso
O bolsonarista Rafael Silva de Oliveira matou o companheiro de trabalho Bendito Cardoso dos Santos depois de uma discussão por causa de política. Segundo a Polícia Civil, o autor confessou que se desentendeu com a vítima por causa de pontos de vista diferentes para as eleições deste ano. O crime teve requintes de crueldade.
Rafael e Bendito se conheciam havia apenas dois dias e não há registro de rusgas anteriores entre eles. O suspeito está preso preventivamente.

