O apoio que as ministras do Meio Ambiente, Marina Silva, dos Povos Originários, Sonia Guajajara, receberam nas redes sociais após o esvaziamento das suas pastas, não reflete em partidos da base aliada do governo.

Após passar pela comissão mista, o texto do relator Isnaldo Bulhões (MDB-AL) seguirá para os plenários da Câmara e do Senado. Nas duas Casas, o cenário é desfavorável às ministras e só será revertido se o governo, segundo um senador da base, “gastar muita sola de sapato, liberar emendas e priorizar essas demandas”.

De acordo com o parlamentar, complica a situação do governo, principalmente no Senado, a necessidade de se aprovar o novo arcabouço fiscal. Os esforços da bancada do PT e do Palácio do Planalto estarão voltados à matéria nas próximas semanas.

Com a atenção direcionada à regra fiscal, podem faltar recursos para o governo federal impedir que os ministérios do Meio Ambiente e dos Povos Originários fiquem sem atribuições consideradas fundamentais. Restará a possibilidade de veto de Lula.

Outro fator também tem colaborado para a “tempestade perfeita” contra Marina. A batalha que opõe no Amapá a pasta do Meio Ambiente e o Ibama à Petrobras e ao Ministério de Minas e Energia põe dois partidos da base, o PSD e o União Brasil, contra o governo.

Senadores que defendem a exploração de petróleo na foz do rio Amazonas têm recebido apoio de colegas da oposição. Concordam que os aspectos social e político devem ser levados em consideração, além da questão ambiental.

“O que nos causa preocupação é que existem dois governos: o do presidente Lula e o da ministra Marina. O que está acontecendo com o Amapá vai acontecer com nosso estado [Amazonas]. Não vamos aceitar”, chegou a declarar o senador Omar Aziz. É ele quem vai relatar o arcabouço fiscal no Senado.