A escolha de Márcio Pochmann para comandar o IBGE terá o discurso público de que está tudo bem e que o órgão tem quadros técnicos – portanto, dificilmente será aparelhado. Mas a realidade é que se trata de mais uma desfeita de Lula à ministra Simone Tebet (Planejamento).
Tebet não sabia do anúncio de Pochmann, nem que seria feito pelo ministro da Secretaria de Comunicação Social, Paulo Pimenta. O certo seria ser feito por ela, pois o IBGE está sob a estrutura do ministério que comanda. Horas antes, a ministra dera entrevista negando ter conversado com Lula a respeito do assunto. Não conversou mesmo. E foi capsulada.
Embora citada como partícipe do sucesso do arcabouço fiscal, das negociações pela reforma tributária pelo ministro Fernando Haddad (Fazenda) e como co-responsável pelo bons ventos na economia, a ministra é ignorada por Lula.
Em seis meses, Lula só a recebeu na última segunda (24). A deputada federal Gleise Hoffmann, presidente do PT, que não faz parte do governo, foi recebida mais vezes pelo presidente.
Tebet nunca nem sequer esteve em reuniões de Lula com Haddad, como equipe econômica, para discutir os rumos econômicos. Todos os encontros foram coletivos, para discutir outras demandas.
O presidente trata apenas com Haddad, mesmo assuntos relacionados ao Planejamento. Ela não vai reclamar publicamente. Mas, até agora, ficou tudo registrado.

