As eleições para os governos estaduais neste segundo turno mostraram alguns resultados inesperados. Rio Grande do Sul, Bahia e mesmo São Paulo terão novos governadores que eram considerados improváveis antes do primeiro turno. Em quase todos os outros, mantiveram-se as expectativas.
A reeleição de Eduardo Leite (PSDB) no Rio Grande do Sul é a mais curiosa. Ele renunciou ao cargo em abril, para concorrer à Presidência da República. Não conseguiu e se candidatou novamente no estado. Terminou o primeiro turno em segundo lugar, muito atrás de Onyx Lorenzoni, apoiado por Jair Bolsonaro, mas virou e venceu.
Lorenzoni fez uma campanha desastrosa no segundo turno, o que abriu espaço para o crescimento de Leite. O governador eleito teve apoio de petistas, que preferiram escolher um antigo adversário a anular ou votar no ex-ministro de Bolsonaro.
Na Bahia, outra campanha desastrosa fez ACM Neto (União) perder uma eleição que tinha tudo para se resolver no primeiro turno. Os deslizes começaram com as explicações estapafúrdias para justificar a autodeclaração de raça à Justiça Eleitoral. O candidato disse que era pardo, embora todos saibam que ele é branco.
Em entrevistas, ACM Neto passou a aparecer bastante bronzeado, tentando explicar a documentação que apresentou, mas isso irritou os eleitores de um dos estados com maior proporção de negros na população. Com isso, Jerônimo Rodrigues (PT) passou a crescer devagar nas pesquisas, até virar e levar o cargo no segundo turno.
Em São Paulo, as pesquisas de opinião pública antes do primeiro turno davam vantagem a Fernando Haddad (PT). Mas, como mostravam as pesquisas, Haddad não era favorito no segundo turno. Perdeu para Tarcísio de Freitas (Republicanos) e foi ao segundo turno em desvantagem.
O resultado deixou claro que Haddad tinha bons números nos grandes centros, sobretudo na capital, mas o antipetismo no interior prevaleceu e garantiu que Tarcísio fosse eleito, mesmo sem ser paulista e com várias dificuldades para entender a complexidade do estado mais populoso do país.
Na outra ponta, entre os resultados mais previsíveis está Santa Catarina. No estado mais bolsonarista do país, Jorginho Mello (PL) só não levou no primeiro turno porque havia outros dois candidatos bastante ligados ao presidente: o atual governador Carlos Moisés (Republicanos) e o senador Esperidião Amin (PP).
A divisão de votos entre eles causou a única improbabilidade nas eleições catarinenses. O petista Décio Lima chegou ao segundo turno. Ex-prefeito de Blumenau, ele teve poucas chances de superar Mello no segundo turno. A vitória foi esmagadora, com mais de 70% dos votos válidos ao candidato do PL, a maior diferença neste segundo turno.
Veja abaixo os resultados em todos os estados:
Alagoas
Rodrigo Cunha (União): 47,67%
Paulo Dantas (MDB): 52,33%
Amazonas
Wilson Lima (União): 56,66%
Eduardo Braga (MDB): 43,34%
Bahia
ACM Neto (União): 47,21%
Jerônimo (PT): 52,79%
Espírito Santo
Renato Casagrande (PSB): 53,8%
Manato (PL): 46,2%
Mato Grosso do Sul
Eduardo Riedel (PSDB): 56,9%
Capitão Contar (PRTB): 43,1%
Paraíba
João Azevedo (PSB): 52,51%
Pedro Cunha Lima (PSDB): 47,49%
Pernambuco
Raquel Lyra (PSDB): 58,7%
Marília Arraes (Solidariedade): 41,3%
Rio Grande do Sul
Eduardo Leite (PSDB): 57,12%
Onyx Lorenzoni (PL): 42,88%
Rondônia
Coronel Marcos Rocha (União): 52,47%
Marcos Rogério (PL): 47,53%
São Paulo
Tarcísio de Freitas (Republicanos): 55,27%
Fernando Haddad (PT): 44,73%
Santa Catarina
Jorginho Mello (PL): 70,69%
Décio Lima (PT): 29,31%
Sergipe
Fábio (PSD) 51,7%
Rogério Carvalho (PT): 48,3%

