O presidente Lula determinou que os ministros Carlos Favaro (Agricultura) e Camilo Santanna (Educação) expliquem a interlocutores do governo no agronegócio, que nem o Ministério da Educação, nem o Inep têm qualquer ingerência sobre as questões do Enem.
Representantes do agronegócio, dentro e fora do Congresso, reclamam desde domingo (5) que três questões do Enem abordaram o setor, segundo a avaliação deles, de maneira negativa e pelo viés ideológico.
Lula soube que existe risco de isso ser usado como pretexto por parlamentares da bancada ruralista para rejeitar a medida provisória que estipula a cobrança do imposto de renda sobre benefícios concedidos pelos estados.
Com a medida, o governo prevê a arrecadação de 35 bilhões de reais no ano que vem.
Os ruralistas ficaram de mau humor com três perguntas. Uma abordava o avanço “da cultura da soja” e a associava ao “desmatamento na Amazônia”; outra afirmava que o setor vive a “mecanização pesada, a ‘pragatização’ dos seres humanos e não humanos, a violência simbólica, a superexploração, as chuvas de veneno e a violência contra a pessoa”; e a terceira dizia que o conhecimento local do Cerrado está “subordinado à lógica do agronegócio” e que os bens naturais e de uso comum, como terra, água e sementes, têm se tornado “propriedade privada”.
Segundo uma fonte da articulação, mesmo sem ser responsável pelas perguntas do Enem, o governo terá de lidar com a repercussão delas nas votações futuras.

