À medida que o segundo turno se aproxima e as pesquisas não indicam mudanças em relação ao resultado do primeiro, resta ao presidente Jair Bolsonaro a estratégia mais agressiva em busca de uma virada. Pancadaria é o caminho. Não espere por propostas ou ideias.

A pesquisa Ipespe divulgada nesta terça-feira segue a tendência das anteriores. A distância entre Lula e Bolsonaro não varia muito, apenas a rejeição de Lula sobe um pouco, enquanto a aprovação do governo melhora na margem.

Assim, a lógica de Bolsonaro investir em aumentar a rejeição a Lula. Em seu programa nesta terça, o presidente disse que Lula foi o mais votado nos presídios – apesar de não haver nenhum levantamento do tipo disponível. Bolsonaro também já disse que chefes de facções criminosas apoiam Lula. E esta é uma amostra da melhor parte.

No debate da Band, no domingo, a tendência é Bolsonaro atacar Lula o tempo todo. O flanco da corrupção será inevitável, como forma de irritar Lula, que se saiu mal nos dois debates em que esteve até agora. É certo que Bolsonaro lançará mão até de fake news, como a chance de um eventual governo Lula perseguir religiosos ou legalizar o aborto. O terreno da pancadaria é o de Bolsonaro, é onde ele se sente à vontade.

Como líder, Lula precisa menos desta estratégia: seu objetivo é mais preservar o que tem do que ampliar. Mas não pode simplesmente fugir do jogo de Bolsonaro. Assim, deve usar o mesmo sistema de bater em Bolsonaro. Não será um jogo bonito de assistir, mas é desta forma que são feitas as eleições.