Como é comum acontecer, a crise desencadeada por dados de prejuízos sociais e financeiros causados pelas bets gera uma busca por culpados dentro do governo Lula. O ministro Fernando Haddad, o culpado preferido dos colegas, é o criticado da vez, por conta do processo de regulamentação da atividade, a cargo do Ministério da Fazenda.
Fontes do alto escalão do Ministério da Justiça dizem que o combate efetivo às bets depende da regulamentação – que, a seu ver, estaria sendo lenta. Também afirmam que parte do governo só acordou para o problema depois que cantor sertanejo Gusttavo Lima foi alvo da Justiça, acusado de lavagem de dinheiro com uma empresa de apostas.
As críticas do Ministério da Justiça envolvem também o Banco Central. Na semana passada, o BC divulgou um estudo que mostrava o estrago das bets: o ponto mais grave era a constatação que 5 milhões de beneficiários do Bolsa Família usaram o dinheiro da subsistência para apostar. Segundo fontes do MJ, o BC demora para repassar informes, o que atrasa investigações.
Reclamam ainda que o presidente do BC, Roberto Campos Neto, faz uso político do problema – bolsonarista, ele é acusado de tentar desgastar o governo com o caso das bets. Mas, ao mesmo tempo, dificultaria o acesso a dados sobre problemas das fintechs envolvidas com as casas de apostas e lavagem de dinheiro.
A promessa de interlocutores do alto escalão do MJ é que atitudes mais enérgicas serão tomadas a partir da próxima semana. O prazo é necessário para analisar as informações já recebidas e planejar ações, como operações da Polícia Federal.
Segundo essas fontes, o MJ sabe que criminosos estão simulando apostas para lavar dinheiro do tráfico de drogas e estão usando dados de idosos para fazer apostas.

