No encontro com representantes de bancos e o presidente da Febraban, Isaac Sidney, nesta quarta-feira (16), o presidente Lula voltou a expor preocupação com o avanço das bets no mercado brasileiro. Lula pediu a colaboração do setor para monitorar o problema, após autorização do Ministério da Fazenda para funcionamento de centenas de casas de apostas.
Na conversa, o presidente repetiu suas preocupações com o risco do alto endividamento dos mais pobres com as apostas e com as ligações entre bets e o crime organizado. Pediu que os bancos colaborem com o Banco Central e com o Ministério da Fazenda com informações e dados sobre as apostas.
O Bastidor noticiou recentemente que muitas empresas que se cadastraram na Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda não possuem qualquer ligação com a atividade de jogo. Há de tudo, de frigorífico a loja de bijuterias.
Lula ouviu dos banqueiros que uma das dificuldades para monitorar o fenômeno é que os valores das apostas muitas vezes não passam pelos bancos, e sim por instituições de pagamentos que não contam com uma regulação mais firme do Banco Central.
Relatório recente do BC mostrou que o brasileiro tem gastado muito dinheiro com esses jogos, independentemente da faixa etária ou de renda. Entre janeiro e agosto deste ano, as bets movimentaram entre 18 e 21 bilhões de reais mensais. Somente em agosto, 5 milhões de beneficiários do Bolsa Família gastaram 3 bilhões de reais com apostas online.
Como contrapartida, na semana passada, a Anatel divulgou uma lista com 2 mil bets bloqueadas no país. A proibição, contudo, esbarra em questões técnicas, como o tempo para o bloqueio, que depende da infraestrutura de cada operadora de telefonia, e o uso de VPNs, ferramentas que mascaram o endereço digital do apostador e podem permitir o acesso.

