Contrariado com a iminente rejeição do voto impresso no Congresso, o presidente Jair Bolsonaro voltou a atacar ministros do Supremo Tribunal Federal em entrevista dada hoje, 7 de julho, à Rádio Guaíba.
Bolsonaro participou do programa Boa Tarde Brasil e demonstrou irritação com a ida do ministro Roberto Barroso ao Congresso para explicar que o voto em urna eletrônica é o mais seguro que existe e pode ser auditado.
“A democracia se vê ameaçada por parte de alguns de toga que perderam a noção de onde vai seus deveres e direitos. Quando você vê o ministro Barroso ir ao parlamento negociar com as lideranças partidárias para que o voto impresso não fosse votado na comissão especial, o que ele quer com isso? Fraude nas eleições”, disse Bolsonaro.
Decisão recente do ministro Alexandre de Moraes também deixou Bolsonaro irritado. Ele mandou abrir inquérito para investigar organização criminosa que atua digitalmente para atacar a democracia e o Estado de Direito.
Na entrevista, o presidente disse que o candidato do PSDB, Aécio Neves, foi eleito em 2014, mas houve fraude para reeleger Dilma Rousseff. É a mesma narrativa que segue a frequente ameaça de rejeitar o resultado das eleições em 2022. Ele já tinha dito que foi eleito no primeiro turno em 2018, mas foi vítima de fraude.
O corregedor-geral da Justiça Eleitoral, ministro Luís Felipe Salomão, deu prazo para Bolsonaro apontar a fraude de 2018. Depois de encerrado o recesso do Judiciário, ele terá de se manifestar no início de agosto.
Os ataques de Bolsonaro não se limitaram a Barroso. O presidente disse que ministros negociam votos para arquivar processos, sem citar nomes. Os ministros Celso de Mello, Marco Aurélio Mello, Cármen Lúcia, Rosa Weber e Edson Fachin também receberam comentários desrespeitosos na entrevista de hoje.
O presidente do STF, ministro Luiz Fux, divulgou nota à imprensa: “O Supremo Tribunal Federal ressalta que a liberdade de expressão, assegurada pela Constituição a qualquer brasileiro, deve conviver com o respeito às instituições e à honra de seus integrantes, como decorrência imediata da harmonia e da independência entre os Poderes. O STF rejeita posicionamentos que extrapolam a crítica construtiva e questionam indevidamente a idoneidade das juízas e dos juízes da Corte”.

