Começa uma nova fase na Petrobras nesta quinta-feira (14), com a posse do novo presidente da empresa, José Mauro Ferreira Coelho, eleito junto com uma nova diretoria da estatal, durante a Assembleia Geral Extraordinária. Ele vai substituir o general Joaquim Silva e Luna, que ficou no posto por um ano.
Além de Ferreira Coelho, também toma posse o novo presidente do Conselho de Administração da estatal, Márcio Andrade Weber.
Em ano eleitoral, Ferreira Coelho terá a missão de, no mínimo, conter as altas nos próximos meses. O preço dos combustíveis tem sido o principal motor da volta da inflação aos dois dígitos anuais. A favor dele está o câmbio. O real tem se valorizado muito nos últimos meses, o que ajuda a segurar um pouco os reajustes.
Desde 2017, a Petrobras adota uma política de paridade de preços a partir da cotação internacional do petróleo. A crise econômica mundial fez a commoditie disparar, o que levou a fortes reajustes nas bombas. Em algumas cidades, o litro da gasolina já custa mais de R$ 10.
Reunião confusa
Em um caso raro nas estatais, o governo não conseguiu eleger todos os indicados para o Conselho de Administração, que determina as diretrizes sob as quais a empresa deve funcionar. Ficaram de fora Carlos Eduardo Lessa Brandão e Eduardo Karrer, que não tiveram votos suficientes para assumirem as funções.
O Conselho de Administração é composto por 11 cadeiras, das quais uma pertence aos empregados e três eram destinadas aos acionistas minoritários. As demais eram indicações do governo, que é o acionista majoritário. Com a votação de ontem, o governo acabou perdendo mais uma cadeira.
A mobilização dos minoritários começou durante a manhã, depois que. Ministério de Minas e Energia decidiu retirar da pauta da assembleia as mudanças propostas para o estatuto, que buscavam limitar o poder de ingerência na companhia.
De última hora
O novo presidente da Petrobras foi escolhido às pressas pelo governo federal, depois que o economista Adriano Pires desistiu do cargo. Escolha pessoal de Bolsonaro, Pires é dono de uma consultoria que presta serviços a diversas empresas do setor de petróleo. A proximidade com a empresa poderia gerar questionamentos sobre conflitos de interesses.
A mesma justificativa foi usada por Rodolfo Landim, que tinha sido indicado para presidir o Conselho de Administração da empresa. O presidente do Flamengo é ex-funcionário de carreira da estatal e possui uma empresa com amigos do setor petrolífero. Ele também sofria pressões internas para não assumir o posto.

