Com a ausência de Lula, Jair Bolsonaro teve um desempenho melhor no debate promovido pelo pool formado por SBT, CNNEstadão/Rádio EldoradoNovaBrasilFMTerra e Veja neste sábado. O presidente deixou de lado suas obsessões descoladas da realidade, como perseguição religiosa e perigo do comunismo, e falou mais em Auxílio Brasil, mulheres e fez um aceno ao Nordeste.

Lula foi criticado por todos os candidatos pela ausência, em especial por Ciro Gomes. Sofreu alguns ataques de Bolsonaro. Contudo, como é normal nos debates, o ausente foi esquecido em prol dos presentes – e, com isso, Bolsonaro foi mais atacado. Com a vantagem que tem nas pesquisas e com o desempenho ruim que teve no debate anterior, Lula não fez mal negócio ao ficar de fora.

Bolsonaro parecia mais à vontade no SBT, um canal que apoia o governo. Estava com o ministro Fábio Faria, genro de Sílvio Santos. Sinal claro de que estava à vontade, Bolsonaro concedeu entrevista após o debate; na Band, o presidente saiu rapidamente, sem falar nem com os outros candidatos.

A evolução de Bolsonaro foi falar para os mais pobres, os nordestinos e as mulheres, os eleitores que mais o rejeitam e que mais votam em Lula. Sinal mais claro disso foi sua fala nas considerações finais: em vez de falar em religião e comunismo, como na Band, falou em Auxílio Brasil, gasolina e perdão de dívidas do Fies. Parece ter entendido que tem uma semana para evitar que Lula vença no primeiro turno.

Em vez da pandemia, como no debate anterior, a maioria dos ataques a Bolsonaro neste sábado foi centrada no orçamento secreto. Acuado, Bolsonaro mentiu ao dizer que as senadores Simone Tebet e Soraya Thronicke foram beneficiadas. Pagou o preço por ter o Centrão como garantidor do seu mandato.

Bolsonaro recebeu a ajuda do candidato Padre Kelmon, do PTB. Padre que não é padre, Kelmon foi um terceirizado de Bolsonaro: falou sobre perseguição religiosa e atacou o feminismo, ao discutir com a senadora Simone Tebet. Estava ali para atacar Lula no tema religioso; com a ausência dele, pouco teve a fazer.

Principal alvo da campanha de voto útil do PT, Ciro Gomes buscou se vingar. Criticou Lula diversas vezes por ter faltado ao debate e foi cordial com Bolsonaro em alguns momentos. Ele dirá que está apenas reagindo à tentativa do PT de destruí-lo; o PT dirá que Ciro se tornou bolsonarista. O rompimento é irreversível.

O resultado final é que tanto Bolsonaro quanto Lula se deram bem com o debate no SBT, cada um a seu modo.