A decisão do ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal, de suspender trechos de decretos que facilitam o acesso a armas não tem qualquer efeito prático na eleição. Não exige novos documentos para alguém votar, não dificulta a ida do eleitor às seções eleitorais, não proíbe a circulação em lugar algum, nada.
Não é como em 2020, nos Estados Unidos, quando Donald Trump cortou verba do correio para evitar o voto por carta, que considerava favorecer a oposição. A menos que o eleitor esteja interessado em comprar uma arma nos próximos 27 dias para atravessar alguma parte da Ucrânia dominada pelo exército russo para chegar a seu local de votação, a decisão de Fachin não tem efeito algum.
A decisão só faz diferença para o presidente Jair Bolsonaro. Patrono das armas, Bolsonaro tem mais um motivo para atacar o Supremo no maior comício eleitoral de sua campanha, no 7 de Setembro, no Rio.
Bolsonaro já sabe que bater no Supremo não lhe traz votos – ao contrário, espanta. Sabe que defender armas também não traz mais votos dos eleitores moderados, aqueles que precisa conquistar. Mas sua verve é mais forte e sua estratégia é outra. O presidente gosta de se colocar como vítima de uma armação do Supremo em favor de Lula.
Ele pode citar outras decisões. O Tribunal Superior Eleitoral mandou que fossem retirados do ar vídeos de sua campanha construídos em cima de mentiras: sobre a ligação do PT com o PCC e outro de seu filho, Eduardo Bolsonaro, dizendo que o PT e Lula apoiam a invasão de igrejas.
Bolsonaro investe no papel de vítima de uma grande armação para Lula vencer. Se o reajuste do Auxílio Brasil não fizer efeito suficiente para superar Lula, poderá alegar que a eleição foi fraudada. Se o 7 de Setembro tiver sido um sucesso, poderá apelar para tumultos como os de Trump para contestar o resultado. Aí, sim, as armas fazem diferença na eleição.

