O presidente Jair Bolsonaro se sentiu vitorioso com a retirada de dois dos crimes que o relatório da CPI da Pandemia lhe atribuiria: o de genocídio de indígenas e o de homicídio comissivo por omissão no enfrentamento da pandemia.

A avaliação de Bolsonaro e de seus aliados foi de que, ainda que não dessem em nada as acusações, eleitoralmente poderiam ser desastrosos. Os outros crimes, dizem eles, são “complicados demais para o povão”.

Um auxiliar do presidente disse ao Bastidor que “todo mundo sabe o que é homicídio” e ter um documento o acusando de assassinato em conjunto com a exposição de famílias ilutadas – o que o governo sabe que será feito durante a campanha – pegaria muito mal.

O mesmo argumento vale para a acusação de genocídio.

Para assessores presidenciais, ainda que Bolsonaro seja chamado de genocida, como tem sido por seus adversários, ele poderá se defender com o fato de que nem a comissão, formada por maioria oposicionista, conseguiu acusá-lo de genocídio.

Como o Bastidor informou, após o vazamento dos crimes a serem atribuídos ao presidente pelo relatório o governo passou a trabalhar pesado para a retirada dos dois pontos e para reverter dois votos. No primeiro caso, saiu vitorioso; no segundo, dificilmente.

O próprio Bolsonaro se envolveu no trabalho de convencimento, alegando haver um limite na disputa política – e ser chamado de assassino, disse um senador da CPI, ultrapassaria esse limite.

Por fim, até senadores petistas e se colocaram contrários a apontar o crime de genocídio de indígenas ao presidente. O senador Humberto Costa disse, por exemplo, que, embora o considere um genocida, dificilmente o relatório conseguiria provar a acusação.