Auxiliares de Bolsonaro acreditam que o presidente atacará especificamente Moraes e Barroso em discurso em São Paulo na manifestação de 7 de setembro. Dará curso à estratégia de tentar distinguir suas investidas contra os dois ministros de críticas institucionais ao Supremo. É um expediente para argumentar, caso necessário, que não estimula ataques ao tribunal.

Bolsonaro, acreditam os auxiliares, vai reforçar e politizar a crítica ao inquérito das fake news e à prisão de seus apoiadores mais radicais, como o presidente do PTB, Roberto Jefferson, e o deputado Daniel Silveira.

Apesar de prometer um discurso agressivo para engajar seus apoiadores, o presidente vai tentar isolar os dois ministros dos demais em sua fala.

Não se trata, porém, de mudar a percepção dos manifestantes de que há uma conspiração envolvendo o Supremo contra o seu governo.

O presidente, dizem seus auxiliares, quer incitar seus apoiadores contra o STF, mas de maneira ambígua, de modo que possa, depois, procurar o presidente da Corte, Luiz Fux, para dizer que não atacou o colegiado.

Como mostrou o Bastidor, Bolsonaro procurou ministros para dizer que suas rusgas se limitam a Moraes e Barroso. Ele tentará manter o argumento.