As viagens internacionais melhoram o humor dos presidentes. Afinal, sair da pancadaria diária de Brasília e ser tratado como chefe de Estado faz um bem danado à auto-estima. Portanto, não causa espanto que Jair Bolsonaro tenha voltado radiante de sua viagem à cúpula das Américas, nos Estados Unidos.
A avaliação (bem pessoal) de Bolsonaro é que a “aproximação” com o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, e com o da Argentina, Alberto Fernández, pode lhe render respostas a eventuais acusações de adversários durante a campanha eleitoral.
Bolsonaro acha que as imagens dos dois encontros bastarão para afastar a ideia de seu isolamento no cenário internacional. Acredita que a fala de Biden de que confia na instituições brasileiras e de que o mundo precisa ajudar a financiar a preservação da floresta poderá ser usada na eleição para anular as evidências de desmatamento e pouco caso com a Amazônia.
Sua avaliação é de que a última semana terminou com vitórias e que esta semana, com a votação do projeto que reduz o ICMS para energia e combustíveis, vai iniciar também com uma vitória. Bolsonaro está convicto que o projeto será aprovado no Senado e derrubará o preço dos combustíveis – e, por tabela, a inflação e a desesperança com a economia.
Aliados do presidente aproveitam o bom humor para pedir a Bolsonaro que bata bumbo das vitórias e esqueça as brigas – mas ele insiste. Bolsonaro continuará a brigar com o Tribunal Superior Eleitoral e com o Supremo Tribunal Federal, seja por conta das urnas eletrônicas, seja por conta da cassação de mandatos por dispersão de fake news.

