Até aliados do presidente Jair Bolsonaro viram com preocupação sua exigência de apoio total das Forças Armadas às suas decisões porque, mais uma vez, pôs em xeque o caráter de instituições de Estado definido pela Constituição para Exército, Marinha e Aeronáutica . No Congresso, a atitude deu força à PEC que impede que militares da ativa ocupem cargos no governo.

As declarações de Bolsonaro foram dadas ontem, quinta-feira 12 de agosto, durante a cerimônia de cumprimento aos oficiais-generais recém-promovidos. Ouviram a mensagem do presidente no Palácio do Planalto os comandantes das três Forças.

Parlamentares da base do governo afirmam que, enquanto os comandantes não desautorizarem publicamente Bolsonaro, continuarão a ouvir que podem ser envolvidos em ameaças e intimidações contra o Supremo Tribunal Federal e o Legislativo.

A preocupação maior, diz um deputado próximo das Forças Armadas, é o inédito alinhamento ideológico dos comandantes com um governo. Por isso, ele duvida que farão algum gesto contra Bolsonaro.

Diante disso, parlamentares da base vão pressionar para que a PEC avance na Câmara. Atualmente, a emenda está na CCJ.

Ontem, o presidente afirmou que Exército, Marinha e Aeronáutica são o “poder moderador” entre os três poderes do Estado, em oposição à decisão do STF que, na Ação Direta de Inconstitucionalidade 6.457, decidiu que as Forças são instituição de Estado com a missão de garantir a defesa da pátria, os poderes constitucionais, a lei e a ordem. Não há, na Constituição, o dever de moderar Executivo, Legislativo e Judiciário.