O presidente Jair Bolsonaro procurou acalmar aliados e apoiadores preocupados com o tamanho das manifestações contra seu governo neste fim de semana que passou. A ordem é argumentar que grande parte da rejeição passará com o avanço da vacinação e com medidas que serão anunciadas, como, por exemplo, a prorrogação do auxílio emergencial e o substituto do programa Bolsa Família.
Bolsonaro vai aproveitar a contradição dos opositores que sempre criticaram sua postura contra o isolamento social. Afinal, a manifestação deste fim de semana também elevou o risco de contaminação. O presidente vai culpar a esquerda pela chegada de uma terceira onda da covid-19.
Os apoiadores de Bolsonaro também ouviram dele que o projeto da reeleição está intacto porque, na visão dele, os manifestantes deste fim de semana são esquerdistas e, portanto, não representam a média dos eleitores.
O que realmente preocupa Bolsonaro é a reação do centrão. Esse grupo heterogêneo de parlamentares conservadores sempre olha para a popularidade do presidente e ela está em baixa. Pior para ele se for confirmada a crise energética que está se desenhando, o que lembraria muito o fim dos oito anos do governo Fernando Henrique Cardoso com o apagão de 2001 e 2002.

