Ao encaminhar à Comissão de Constituição e Justiça, nessa semana, o nome de André Mendonça, ex-advogado-Geral da União indicado ao Supremo Tribunal Federal, e a recondução de Augusto Aras para a Procuradoria-Geral da União, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, preparou o caminho para recusar os pedidos de impeachment dos ministros Alexandre de Moraes e Roberto Barroso.

O presidente Jair Bolsonaro, que pretende enviar os pedidos de cassação dos ministros do STF, tenta conseguir de Pacheco o compromisso de que não irá rejeitar imediatamente os requerimentos. Bolsonaro teme ser desmoralizado caso o presidente do Senado de pronto os rejeite.

Pacheco tem dito a interlocutores que não é sua intenção fazer avançar na Casa qualquer pedido de cassação de ministro do Supremo e tende a rejeitar os que chegarem. Mas ainda avalia se seguirá o exemplo de seu antecessor, Davi Alcolumbre, que sentou sobre os requerimentos e só os rejeitou nos últimos dias na presidência ou se rejeitará de pronto para que “o assunto não renda” internamente.

De acordo com um interlocutor de Pacheco, a tendência é que ele encontre um meio termo. De todo modo, diz, o presidente do Senado, ao liberar para a CCJ as indicações de Bolsonaro, quer se sentir livre para tomar a decisão no seu tempo, sem ser acusado de estar atuando contra o presidente por intenções eleitorais.