Parece piada, mas o lema da gestão Jair Bolsonaro para o resgate de brasileiros que conseguiram fugir da invasão da Ucrânia é o “governo federal não deixa ninguém para trás”. Em letras garrafais, o tweet da Secretaria de Comunicação tenta apagar a omissão do capitão reformado no começo do conflito.

O Bastidormostrou que, para fazer diplomacia no conflito europeu, o Itamaraty tem que vencer primeiro Bolsonaro. O presidente é um problema tão grande que já recebeu pedidos de aliados para ficar calado – obviamente descumpriu (mais de uma vez). O capitão reformado (que ama Vladimir Putin), junto com Walter Braga Netto, até suavizou as manifestações do Brasil ao condenar a barbárie de Vladimir Putin.

A omissão brasileira foi tamanha que, poucos dias antes da invasão, o representante brasileiro na Ucrânia disse que a situação era normal, sem qualquer risco de guerra. Nem com a chegada dos russos em solo ucraniano as coisas mudaram. A embaixada do Brasil em Kiev continuou fazendo o básico: registrando brasileiros.

Somente quando as bombas russas passaram a castigar a Ucrânia, a representação brasileira naquele país se mexeu. Passou a listar os horários dos trens que levariam refugiados para longe do conflito. Agora, envia um avião da FAB, que transportará menos de 100 pessoas. Segundo o governo brasileiro, são 500 os compatriotas na Ucrânia – fontes internacionais informam que 200 dessas pessoas já fugiram da guerra. A aeronave tupiniquim já deixou o país rumo à Polônia, onde irá entregar ajuda humanitária e ser convertida para trazer refugiados.