A operação da Polícia Federal que teve como alvo o deputado Alexandre Ramagem reacendeu, no PL do Rio de Janeiro, a discussão sobre o candidato do partido a prefeito da cidade. A disputa opõe o ex-presidente Jair Bolsonaro, que defende seu ex-chefe da ABIN, e o grupo do governador Claudio Castro, que prefere o senador Carlos Portinho.
A indignação de alguns integrantes do partido com mais uma operação contra um parlamentar do partido esconde as articulações para tirar Ramagem do caminho. No grupo de Castro há uma avaliação de que o decorrer das investigações será um impeditivo para a viabilização da candidatura do aliado de Bolsonaro.
O governador, também na mira da justiça, tenta colocar Portinho como a alternativa mais segura caso Ramagem não tenha condições de disputa. Bolsonaro, por ora, não quer discutir uma segunda opção. Aliados do ex-presidente, ao menos oficialmente, dizem que a operação tende a tornar Ramagem mais conhecido e dará de bandeja o discurso de perseguição aos bolsonaristas.
O nome de Ramagem só ganhou força após Bolsonaro desincentivar um dos seus filhos, Flávio Bolsonaro, na disputa. Antes, cogitou-se até o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello. Mas nem Pazuello nem Portinho contam com a confiança que Bolsonaro tem em Ramagem ao ponto de um dos coordenadores da campanha, se ela vingar até a eleição, será Carlos Bolsonaro.

