A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) afirmou em comunicado na noite de quinta-feira, 24, que o exército russo realizou bombardeios em postos de controle na cidade ucraniana de Slavutych, onde moram muitos funcionários que atuam na Usina de Chernobyl.

Segundo a entidade, a situação coloca em risco os trabalhadores e reduz a possibilidade de alternar as equipes que cuidam da antiga usina nuclear, que foi palco do pior acidente radioativo da história, em 1986. Desde o início da guerra, há um mês, só houve uma rotação de equipes, que se iniciou no último sábado. O grupo inicial passou quatro semanas trabalhando de forma ininterrupta.

A cidade de Slavutych fica na chamada Zona de Exclusão, área em que o acesso é restrito desde o vazamento radioativo. Pouquíssimas pessoas vivem na área, devido aos riscos de contaminação aos moradores.

A equipe que está atualmente acompanhando a Usina de Chernobyl também é proveniente de Slavutych. A AIEA teme que os funcionários fiquem preocupados com a situação das famílias deles e não consigam manter a plena atenção no trabalho, colocando novamente a área sob risco.

Embora a Usina de Chernobyl tenha sido desativada depois do acidente, a planta ainda tem um vasto depósito de lixo nuclear, que precisa de monitoramento constante. O local foi uma das primeiras áreas tomadas pelo exército russo. O órgão regulador da Ucrânia monitora a situação, mas não tem como mandar inspetores para analisar detalhadamente as condições de trabalho e de segurança.

A AIEA diz que também foram registrados incêndios florestais no entorno de Chernobyl. O Corpo de Bombeiros que atua na área está sem acesso a eletricidade e precisa usar geradores para poder trabalhar. 

Nenhum dos incêndios colocou a usina em risco. Não há indícios de vazamentos radioativos na área.