Ao anunciar que o general Walter Braga Netto será seu vice, o presidente Jair Bolsonaro corre o risco de começar a perder apoio no Centrão, que sustentou seu mandato e evitou que uma entre mais de uma centena de pedidos de impeachment prosperasse no Congresso.
Parlamentares do bloco, que já desconfiavam da capacidade do presidente de atrair o voto feminino e avançar sobre o ex-presidente Lula, preveem o início de um processo de abandono da campanha à reeleição.
De acordo com um deputado ouvido pelo Bastidor, devem ficar somente os políticos mais ideológicos ou de nichos onde o presidente tem votos, como parte do agronegócio, evangélicos e policiais.
Por pressão de seus aliados, entre os quais o filho Flávio, na semana passada Bolsonaro chegou a considerar colocar uma mulher como vice.
O Centrão defendia a ex-ministra da Agricultura Tereza Cristina (PP), candidato ao Senado pelo Mato Grosso do Sul, na posição de vice do presidente. Bolsonaro chegou a elogiá-la publicamente. Como mostrou o Bastidor, ele chegou a avaliar que entre as mulheres cotadas, preferia a sua ex-ministra dos Direitos Humanos Damares Alves por ser menos articulada politicamente.
Conforme o Bastidor informa desde o ano passado, em muitas ocasiões o presidente externou sua convicção de que, com um vice-presidente político, não teria terminado o mandato. Para Bolsonaro, Braga Netto é uma espécie de garantia contra o impeachment. O medo venceu Bolsonaro.

