A poucas horas da reunião de hoje (sexta-feira) do Conselho de Segurança da ONU, o Brasil ainda não decidiu sobre como vai se posicionar sobre o projeto de resolução apresentado pelos Estados Unidos contra a Rússia. A diplomacia brasileira vai tentar negociar os termos.

O trecho que destoa do que deseja o presidente Jair Bolsonaro para o posicionamento do Brasil está na afirmação de que “a situação na Ucrânia constitui uma violação da paz e segurança internacionais e que a Rússia cometeu atos de agressão” contra o país.

São termos considerados excessivamente duros pelo presidente. Permitiriam, na avaliação de Bolsonaro e da ala militar, retaliações desproporcionais à Rússia. Eles acreditam que os termos justificariam um ataque da Otan – algo descartado pelas potências ocidentais e classificado como altamente improvável pelos principais especialistas em geopolítica.

O Itamaraty, por sua vez, apoia o teor do texto proposto pelos Estados Unidos. Mas, por óbvio, agirá conforme a determinação do presidente.

Inicialmente, o Brasil tentará negociar uma mudança nos pontos mais críticos em troca de sua adesão. Mas, segundo uma fonte do Palácio do Planalto, Bolsonaro prefere uma abstenção a um posicionamento pró-americano ou pró-russo – ao menos em face dos termos propostos.

O documento apresentado pelos Estados Unidos condena a Rússia ainda por violação do artigo 2, parágrafo 4 da Carta das Nações Unidas e a considera uma violação da integridade territorial e soberania da Ucrânia, inconsistente com os princípios da Carta das Nações Unidas.

O Brasil é signatário do respeito à integridade territorial e à soberania dos países. Mas Bolsonaro se incomoda com a afirmação de que a Rússia já violou o artigo da Carta das Nações Unidas.

Segundo esse integrante do governo, neste momento a tendência é de abstenção, embora ainda seja possível uma mudança de posição.

O Brasil é membro temporário do Conselho de Segurança da ONU e, como tal, não tem poder de veto das resoluções.