Em menos de uma semana, a ministra da Saúde, Nísia Trindade, precisou voltar ao Congresso Nacional, dessa vez respondendo a uma convocação da Comissão de Assuntos Sociais (CAS), do Senado. Na Casa Alta, precisou ouvir cobranças diretas de aliados sobre a demora para empenhar emendas parlamentares, crítica comum à gestão dela na pasta.
No dia 10 deste mês, a ministra esteve na Câmara dos Deputados, onde ouviu críticas indiretas à gestão, feitas por parlamentares da base. No Senado, as cobranças foram ainda mais incisivas, sobretudo no início da audiência pública, antes de senadores bolsonaristas fazerem do colegiado palco para proselitismo político.
Nísia Trindade tem sido, desde o início da gestão de Luiz Inácio Lula da Silva, uma das ministras mais criticadas da Esplanada. Uma das razões é a falta de traquejo político e publicitário para divulgar as ações do Ministério da Saúde. Porém, o que está por trás dessas reclamações mesmo é o orçamento de orçamento de 218,5 bilhões de reais, o maior do governo.
A Saúde é o principal destino das verbas de emendas parlamentares, sobretudo neste ano, em que há eleições municipais. É um jeito mais direto de mostrar serviço à população e buscar votos.
Políticos de várias legendas têm usado isso para pressionar Lula a tirar a ministra, que foi alçada ao cargo sem apoio da base no Congresso, na cota pessoal do presidente, e tem se mantido assim desde então.

