A PGR denunciou nesta quinta-feira (8) o conselheiro do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro Domingos Inácio Brazão, o deputado federal Chiquinho Brazão, o delegado da Polícia Civil do Rio de Janeiro Rivaldo Barbosa de Araújo Júnior e o policial militar Ronald Paulo de Alves Pereira. O quarteto é acusado dos homicídios de Marielle Franco e Anderson Gomes.

Domingos e Chiquinho Brazão, além de Robson Calixto Fonseca também foram denunciados por organização criminosa. Fonseca foi assessor de Domingos no Tribunal de Contas e é apontado como o responsável por fazer a ponte entre os irmãos Brazão e a milícia conhecida como Escritório do Crime.

A denúncia é baseada em provas apresentadas pelo ex-policial militar Ronnie Lessa, apontado como o autor dos disparos que mataram Marielle e Anderson. Além dos dois, uma assessora da vereadora ficou ferida.

Segundo Lessa, o atentado foi cometido a pedido dos irmãos Brazão, que tinham interesses econômicos na venda de terrenos em um loteamento na Zona Oeste do Rio de Janeiro. Marielle vinha atuando para convencer possíveis compradores a desistir do negócio, devido às ligações dos irmãos com milicianos que atuam na área.

Todos os denunciados estão presos, por ordem do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). O processo corre na corte devido à prerrogativa de foro de Chiquinho Brazão. Embora esteja preso, ele ainda não perdeu o mandato: o processo no Conselho de Ética da Câmara ainda está em andamento.

A prisão dos irmãos Brazão – principalmente de Chiquinho – foi usada como arma por deputados da direita para criticar a ação do STF, em especial de Moraes. Nas sessões em que houve a discussão para a manutenção do encarceramento, vários políticos discursaram a favor da soltura do parlamentar, acusando Moraes de abuso de poder.