O Senado aprovou na tarde desta terça-feira (7) o decreto legislativo que reconhece a situação de calamidade pública no Rio Grande do Sul, devido à ação das chuvas. Na prática, a medida deve reduzir a burocracia para que a União possa enviar dinheiro ao estado sem correr o risco de ferir a Lei de Responsabilidade Fiscal. O texto será publicado na próxima edição do Diário Oficial da União.
Mais cedo, em entrevista coletiva, o governador Eduardo Leite afirmou que 401 dos 497 municípios do estado estão com algum tipo de problema relacionado às chuvas. Ele confirmou que o número de mortos já chega a 95. São quase 49 mil desabrigados, 159 mil desalojados e 372 feridos.
Ainda de acordo com o governador, a previsão é que a situação no estado piore consideravelmente nos próximos dias, com a chegada de mais chuvas e uma massa de ar frio intenso, que deverá derrubar as temperaturas até o fim da semana.
A mobilização em prol dos gaúchos tem ganhado adeptos de vários estados na política. Nesta terça, a Comissão de Educação do Senado decidiu que todas as emendas parlamentares aprovadas pelo grupo para este ano devem ser destinadas ao Rio Grande do Sul.
Governadores e prefeitos de todo o Brasil têm se mobilizado para enviar socorristas e doações aos gaúchos, apesar das dificuldades logísticas. Além das enchentes, que provocaram o fechamento do Aeroporto Salgado Filho, houve dezenas de deslizamentos, que interroperam o trânsito em diversas rodovias no estado.
Em Eldorado do Sul, cidade de 40 mil habitantes, na Região Metropolitana de Porto Alegre, o prefeito anunciou que vai evacuar todos os moradores devido ao risco. Só quem trabalha nos serviços de limpeza e de construção civil do município vai seguir na cidade. A expectativa é de que a reconstrução leve pelo menos um ano.
Também nesta terça-feira, o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, anunciou a liberação de 2,9 bilhões aos moradores do Rio Grande do Sul. O valor é referente a antecipação do abono salarial e liberação de FGTS para os atingidos. Ele também afirmou que será suspenso o recolhimento do FGTS pelos empregadores, pelo período de quatro meses. O objetivo é ajudar o estado na retomada econômica.

