Além de ofuscar a campanha eleitoral nesta terça-feira, a decisão de Alexandre de Moraes de autorizar a Polícia Federal a atuar contra empresários bolsonaristas deve mudá-la por alguns dias. Nada de propaganda sobre conquistas, avanços ou críticas a Lula e ao PT. O presidente Jair Bolsonaro deve se dedicar a ataques pessoais, ameaças golpistas e fake news contra o ministro do Supremo Tribunal Federal.
Moraes autorizou a PF a fazer uma operação de busca e apreensão nas casas e escritórios e bloquear contas bancárias de oito empresários que brincavam de falar em golpe de estado contra Lula num grupo de WhatsApp.
Alexandre de Moraes não é candidato a presidente, mas por vezes Bolsonaro devota mais atenção a ele do que a Lula, seu adversário oficial e líder nas pesquisas de intenção de voto.
Faz isso porque tem raiva e teme Moraes devido ao inquérito das fake news, aquele em que é um dos investigados, ao lado dos filhos Carlos e Eduardo. Bolsonaro já tentou de tudo para acabar com a investigação e não conseguiu.
Assim, a rotina tende a se repetir na campanha eleitoral. Nos próximos dias, é provável que Bolsonaro em algumas oportunidades esqueça de falar sobre Auxílio Emergencial, empregos, preço dos combustíveis – todos esses assuntos que trazem votos.
Vai dedicar tempo a atacar Moraes, dizer-se perseguido, repetir fake news sobre urnas eletrônicas, fazer ameaças golpistas do tipo “jogar fora das quatro linhas” e defender um conceito de democracia muito particular – todas essas coisas que não trazem votos.
Os aliados não gostam disso. Não querem briga com o Supremo ou o TSE, nem saber de golpe, porque nada disso traz votos – aliás, espanta. Os políticos e a equipe da campanha de Bolsonaro terão trabalho para fazer o presidente agir como um candidato à reeleição.

