Na política, diz Lula, não há inimigos eternos. Também não há esquecimento. Em conversas recentes, o ex-presidente atribuiu a Carlos Siqueira as dificuldades encontradas pelo PT para formar uma federação com o PSB.
Para Lula, falta voto a Siqueira, que comanda o partido desde a morte de Eduardo Campos, em 2014. Também lhe falta, na avaliação do petista, ascendência sobre as lideranças regionais, fazendo-o flutuar para atender os mais diversos interesses –alguns conflitantes– para se manter no cargo.
Quem negocia com o PSB é a presidente do PT, a deputada Gleisi Hoffmann. Lula prefere ficar de fora das trocas diretas com Siqueira.
Sobre os movimentos erráticos do PSB, Lula lembrou recentemente que o PSB apoiou o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff. Na ocasião, disse, Siqueira chegou a se reunir com Michel Temer, antes que sua própria bancada fechasse posição a respeito.
Ele lembrou que o PDT, de Ciro Gomes, mesmo com a disposição de seguir seu próprio caminho, como fez em 2018 e faz agora em 2022, votou contra a cassação de Dilma.
Para o petista, que conta com o apoio do PSB, as idas e vindas dos socialistas ocorrem por conta de erros na condução do partido por Carlos Siqueira.
Outra declaração nunca esquecida por Lula foi a do presidente do PSB, na ocasião de sua saída da cadeia. Disse Siqueira à época: “Entre o PT e o Brasil, o PT escolhe a si mesmo”.
Embora não esqueça, o petista diz que as manifestações e posicionamentos de Siqueira são da política e, na política, não se faz inimigos eternos. Exemplo disso é sua tentativa de atrair o MDB de Michel Temer para a sua base ainda no primeiro turno.

