Ao menos cinco generais do Alto Comando do Exército estão insatisfeitos com o comandante da Força, Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira. Avaliam que o general de Exército cedeu à pressão de Jair Bolsonaro para não punir adequadamente Eduardo Pazuello. Não vislumbram um desfecho satisfatório para o caso.
Eles reconhecem que o presidente é o comandante supremo das Forças Armadas. No entanto, ressaltam que o ato de insubordinação de Pazuello – ainda na ativa – pode e deve ser objeto de punição exemplar por meio de procedimento independente, a ser tocado no Exército. Não está à alçada do presidente.
O comandante do Exército tenta, nesta quarta, uma solução negociada, que não contrarie Bolsonaro nem desagrade seus colegas no Alto Comando. Segundo esses generais da cúpula da Força, essa solução intermediária não existe.
De acordo com relatos de quem estava na reunião mais recente, as investidas diplomáticas do general Paulo Sérgio apenas desgastaram o comandante perante o Alto Comando. Podem mantê-lo no cargo, mas ao custo do respeito da maioria dos generais de quatro estrelas.
Os generais críticos ao comportamento do comandante avaliam que ele não deveria ceder a Bolsonaro – e duvidam que o presidente teria coragem de emparedar Paulo Sérgio em caso de uma punição exemplar a Pazuello.
O Alto Comando já mandou avisar Bolsonaro e os presidentes do Congresso e do Supremo que o presidente da República não tem o apoio dos generais da cúpula do Exército. O lento e titubeante desenrolar do caso Pazuello afasta cada vez mais os generais do Planalto. As críticas internas ao presidente – especialmente o que percebem ser o estímulo dele à quebra de hierarquia – são incisivas e duras.

