Sob reserva, quatro senadores influentes e um advogado que participa da operação para emplacar outro nome no Supremo avaliam que o Senado rejeitará hoje a indicação de André Mendonça a uma vaga no tribunal. Eles acreditam que a votação secreta no plenário será decisiva para assegurar o resultado desfavorável ao ex-ministro de Bolsonaro.

Um dos senadores que, sob condição de anonimato, apontam a derrota iminente ajudou, embora com certa relutância, na articulação para aprovar o nome de Mendonça. “Não tem jeito”, ele diz. O articulador calcula que o ex-AGU terá, no máximo, 37 votos – ele precisa de 41.

Outro dois senadores ouvidos pelo Bastidor têm fortes ligações com ministros dos tribunais superiores. Reconhecem que votarão contra o ex-AGU. Um deles afirma que só agirá assim porque tem apoio nas cortes e convicção de que o movimento para rejeitar Mendonça será exitoso.

Votações secretas convidam à traição. Ela, afinal, pode acontecer dos dois lados. Até o começo da sabatina de hoje, havia consenso de que o placar seria magro, seja para aprovar Mendonça, seja para rejeitá-lo.

Os relatos dessas fontes qualificadas, porém, indicam um cenário político bastante desfavorável a Mendonça. Ele tem pela frente uma coalizão política e jurídica que inclui o centrão, governistas e ministros influentes dos tribunais superiores.

A seu favor, conta com o apoio escasso de integrantes do governo, setores evangélicos, alguns senadores independentes e poucos ministros do STJ e do Supremo. Alguns veículos de imprensa também ajudam na campanha.

Quem está contra Mendonça trabalha com afinco e de modo coordenado, há meses, para rejeitá-lo. É gente que raramente perde em Brasília.

Salvo exceções, quem está a favor não apresenta a mesma disposição política e inteligência estratégica. Abandonado pela família Bolsonaro, apesar dos esforços da primeira-dama, Mendonça teve que tocar sua própria campanha, como se sua indicação fosse apenas dos evangélicos, e não do governo.

Ao contrário do que pode parecer, Davi Alcolumbre não é o líder dessa coalizão. Nem de longe é o principal estrategista dela. E não está, claro, sozinho.

Ao movimento para rejeitar Mendonça, corresponde um movimento alternativo, para emplacar um nome do centrão. Além de Augusto Aras, dois nomes seguem em campanha: Humberto Martins e João Otávio de Noronha. Como os dois ministros do STJ já ultrapassaram a idade para ingressar no Supremo, precisam que o Congresso aprove a PEC que aumenta esse limite de 65 para 70 anos. A proposta tramita de modo acelerado na Câmara. Há, também, a articulação por um nome novo, ainda desconhecido.

Se André Mendonça prevalecer hoje, e for aprovado em plenário como novo ministro do Supremo, terá vencido, portanto, as forças mais poderosas de Brasília.