Cid Gomes (PDT-CE) não estava disposto a participar da CPMI do 8 de janeiro, instalada nesta semana no Congresso. Chegou a classificá-la como “perda de tempo”, mas aceitou ser o 1º vice-presidente do colegiado.
Não sem motivos. O senador busca ganhar alguns pontos com o governo federal para aumentar seu poder de barganha na indicação de aliados para cargos do segundo e terceiro escalões. Próximo do diretório estadual do PT no Ceará, Cid está distante do Palácio do Planalto.
Recentemente, criticou o ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha (PT-SP), ao dizer que a relação do governo com o Centrão vai levar o presidente Lula (PT) para o “buraco”.
O senador do PDT, que jamais havia participado de uma Comissão Parlamentar de Inquérito, vai colaborar com o governo para que a CPMI não vire palco para bolsonaristas insuflarem as teses que atribuem à gestão petista a maior responsabilidade pelos ataques às sedes dos Três Poderes.
Cid, diz um petista ao Bastidor, foi preterido na formação da diretoria do Banco do Nordeste. Não emplacou nenhum aliado e agora tenta colocar um dos seus irmãos, Lúcio Gomes, no comando da companhia Docas do Ceará. A empresa, vinculada ao ministério de Portos e Aeroportos, de Márcio França (PSB-SP), anunciou recentemente o ex-deputado Denis Bezerra (PSB-CE) como presidente.
Lúcio também é próximo do PT do Ceará, foi secretário do ex-governador Camilo Santana (PT-CE) e mantém boa relação com o atual, Elmano de Freitas (PT-CE).
A família Gomes ficou dividida na última eleição. Enquanto Ciro Gomes brigou para o PDT lançar Roberto Cláudio (PDT-CE) como candidato ao cargo de governador, Cid defendia o nome de Izolda Cela, que teria o apoio do PT. Sem acordo, Izolda, que foi vice de Camilo Santana, sequer foi candidata e abriu caminho para a vitória de Elmano.
Hoje, parte do PDT do Ceará é contra a aliança com o governo estadual do PT. O racha alimenta rumores de que Cid pode ir para o Podemos, assumir a direção do partido no estado e consolidar uma aproximação com o PT em nível regional e nacional.

