Mesmo sendo chamado de cabo eleitoral de Jair Bolsonaro, Ciro Gomes gostou de ter se transformado em personagem dos bolsonaristas, que divulgaram em seus grupos de WhatsApp e Telegram a crítica do pré-candidato à chapa Lula e Geraldo Alckmin.

Ciro Gomes está certo de que a única coisa que explica as intenções de voto no presidente é o antipetismo. Acha que o governo é ruim, que é responsável pelo alto número de mortos na pandemia, que tem responsabilidade na inflação, no desemprego, na fome e, se Bolsonaro se mantém em segundo lugar nas pesquisas, é porque segmento importante do eleitorado rejeita o PT e Lula.

É um Cavalo de Tróia, disse a um interlocutor.

Ciro quer ser conhecido por eleitores de Bolsonaro. Quer ser uma opção a esse antipetismo e, ao ser viralizado por bolsonaristas, estava onde queria estar.

Na quinta-feira, o pedetista afirmou que “juntar tartaruga com arame farpado não dá porco-espinho”, referindo-se a Lula e Alckmin. “Às vezes, adversários podem se reunir, mas, [não] assim, sem explicar nada, um conchavão despolitizado.”

Nas publicações, há trechos de declarações feitas por Ciro em outros momentos também, como a de uma entrevista dada em 2020 a Maurício Meirelles. Na legenda, está “Ciro Gomes falando bem de Bolsonaro”.

Para Ciro, sem perceber, os apaixonados por Bolsonaro o apresentam a quem vai votar no presidente por rejeitar Lula. E é o que queria, afirma.