A Advocacia-Geral da União (AGU) solicitou a Facebook, Instagram e X (antigo Twitter) para que removam postagens com um vídeo que mostram o assessor especial da Presidência da República, Celso Amorim, abraçando efusivamente o presidente venezuelano Nicolás Maduro. Como os pedidos são extrajudiciais, as empresas não são obrigadas a cumprir.
Em nota, a AGU afirmou que o pedido foi feito pela Procuradoria Nacional de Defesa da Democracia (PNDD), uma ramificação confusa e controversa da própria AGU, criada no governo Lula para combater a disseminação de notícias falsas nas redes sociais.
A postagem com Amorim abraçando Maduro viralizou depois de ser publicada pelo deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP). O filho do ex-presidente fez alusão de que o efusivo abraço seria um indicativo de apoio a Maduro após a eleição fraudada do dia 28. Ocorre que as imagens são falsas, uma montagem grosseira.
Vários seguidores do próprio parlamentar apontaram a falha. Agências de checagem também apontaram indícios de que o vídeo foi produzido por meio de inteligência artificial e há claros sinais de manipulação.
Segundo a AGU, caso as empresas não apaguem os conteúdos, elas podem marcá-los como falsos ou enganosos. O X, do bilionário Elon Musk, acatou o pedido e passou a rotular o vídeo como sendo manipulado. Não há informação de que outras redes sociais tenham seguido o mesmo procedimento.
A AGU afirmou que a postagem não só desinforma como tenta promover uma visão errônea sobre a política externa brasileira em relação à Venezuela. Até agora, o governo brasileiro não reconheceu a vitória de Maduro, mas também não apoiou os pedidos de reconhecimento de vitória da oposição.
A PNDD é alvo de uma ação de descumprimento de preceito fundamental, aberta pelo PL, partido de Eduardo e Jair Bolsonaro. A legenda questiona a legitimidade da ramificação da AGU, afirmando que o órgão pretende instalar um sistema de censura no Brasil.
