A lista pode ser muito extensa, mas são três os principais temores do governo Lula em relação ao resultado da eleição presidencial nos Estados Unidos, que termina nesta terça-feira (5). Todos estão vinculados a uma vitória do candidato republicano Donald Trump. Um deles está na economia, um nas relações internacionais e outro é interno.
Oficialmente, hoje é dia de os americanos votarem. Mas a votação por carta – ou mesmo presencial – começou há semanas, de acordo com as regras de cada um dos 50 estados americanos. Assim, esta terça é o último prazo. À noite começa a apuração.
Uma vitória da democrata Kamala Harris é, obviamente, o melhor para o governo Lula. Em caso de vitória de Trump, os temores se concentram em três pontos principais:
– Uma das maiores promessas de Trump é um pacote de elevação de tarifas, uma política de viés protecionista capaz de gerar uma guerra comercial em escala desconhecida na história recente. Para o Brasil, um cenário assim significa baixas chances de redução dos juros e perspectivas de crescimento menor.
– São ínfimas as chances de uma relação entre Lula e Trump ter algo de positivo. A história mostra que o pragmatismo impera nas relações entre presidentes, mas quando a relação pessoal é boa, as coisas andam melhor. Foi assim com FHC e Bill Clinton na década de 1990 e com Lula e Bush entre 2003 e 2009. Mas este pragmatismo não existe em Trump – ao contrário: a má vontade pessoal pode prejudicar o relacionamento diplomático.
– O bolsonarismo teria uma enorme injeção de força no sentido da radicalização. O Trump de 2024 é mais radical que o de 2020. Sua volta após os ataques ao Capitólio em 6 de janeiro de 2020 seria como uma licença para golpes violentos, como o tentado no Brasil em 8 de janeiro de 2023. A oposição bolsonarista teria não só o incentivo da vitória do radicalismo americano, como poderia se beneficiar das relações ruins entre os dois presidentes e das suas boas relações com os republicamos.
Com esta perspectiva negativa pela eventual vitória do republicano Trump, as dificuldades naturais de uma vitória da democrata Kamala Harris parecem um passeio na praia para o governo Lula.

