As montadoras chinesas colocaram Rui Costa de um lado e Luiz Marinho, Geraldo Alckmin e Fernando Haddad de outro. Enquanto o ministro da Casa Civil defende essas empresas, seus colegas de Esplanada dos Ministérios têm pontuado problemas. Na disputa, Lula fica em cima do muro.

Marinho, Alckmin e Haddad têm dito a Lula que os retornos esperados com a instalação dessas montadoras no Brasil ainda irão demorar, principalmente depois que foi descoberto o uso de trabalho escravo na construção da fábrica da BYD na Bahia. Sem a planta industrial, não há produção de carros, arrecadação de impostos nem geração de empregos.

O número de brasileiros empregados também é citado quando se fala na construção da fábrica da BYD, pois a montadora trouxe chineses para a empreitada – foram esses os trabalhadores flagrados em situação de trabalho análogo à escravidão. Além disso, a interdição das obras, por conta do uso de trabalho escravo, atrasará a entrega da planta industrial, pois a montadora terá que contratar mão-de-obra nacional para terminar o trabalho.

Costa defende os chineses porque a fábrica da BYD está sendo construída na Bahia, estado que governou e elegeu sucessor, Gerônimo Rodrigues. Lula está dividido na disputa porque não quer desagradar os baianos, que lhe garantiram a vitória em 2022 e que estão cada vez mais desiludidos com seu governo, nem São Bernardo do Campo, cidade onde estão instaladas as principais montadoras, onde nasceu a carreira política do petista e que é atualmente representada no governo por Luiz Marinho.

Em relação a Alckmin e Haddad, Lula terá que lidar com a pressão das montadoras que estão no Brasil há mais tempo. Fontes do setor afirmaram que esse grupo empresarial vai pedir aos ministros da Indústria e da Fazenda a aplicação de, ao menos, 35% de imposto de importação sobre carros elétricos chineses.

Essas montadoras temem que, com o atraso das obras da BYD na Bahia, mais o retorno de Donald Trump e suas políticas protecionistas à Casa Branca, a China decida inundar o Brasil com seus estoques de carros elétricos. E a estratégia dessas empresas contra os chineses já começou. Diversos veículos de imprensa noticiaram nesta segunda-feira (27) que elas procuração o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior para pedir uma investigação sobre suposto dumping praticado pelas empresas sediadas na China.