Os vetos Lula a trechos da LDO e da LOA que tratam de emendas parlamentares e as sinalizações do presidente, ainda no fim do ano passado, de que faria uma minirreforma ministerial fizeram novamente aumentar a pressão pela substituição do ministro Alexandre Padilha (Relações Institucionais).

Parlamentares do Centrão – o presidente da Câmara, Arthur Lira, é um deles – estão convencidos de que Padilha não leva as demandas do Congresso a Lula da forma que deveria. Ao Bastidor, um deputado usou a palavra “boicote” para definir a atuação do petista. Os recados chegariam à cúpula do Palácio do Planalto de forma enviesada e, em muitos casos, o que é combinado com o ministro não é cumprido, segundo um parlamentar.

Padilha não goza mais da confiança de boa parte do Congresso, inclusive de deputados e senadores da base aliada. Um exemplo se deu nas várias versões do governo para os vetos de Lula. Nenhuma delas convenceu Lira, que vai reunir líderes do Congresso na próxima semana para discutir a reação dos parlamentares.

A articulação política disse que o veto a parte das emendas de comissão ocorreu com base em um suposto acordo que destinaria pouco mais de 11 bilhões de reais à rubrica. Lira e parlamentares do Centrão questionam os cálculos feitos e batem o pé de que o corte deveria ser menor.

A derrubada do veto preocupa o governo, mas o que tira o sono do Palácio do Planalto é o Congresso impor um cronograma de pagamento de emendas, como foi aprovado na LDO e barrado por Lula. A tendência, hoje, é justamente derrubar os trechos não sancionados pelo presidente.

As negociações serão retomadas na próxima semana, com o governo em busca de uma saída que contemple a destinação de parte dos recursos para o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) e uma forma de não ser submetido a um calendário de liberação de emendas.

O período também será usado por parlamentares para fritar Padilha.