Quando o primeiro lote da vacina da Pfizer para crianças de 5 a 11 anos chegou ao Brasil, no dia 15 de janeiro, houve festa, evento oficial e discursos políticos. Quase um mês depois, o ritmo de vacinação nesta faixa etária segue lento. Apenas 2,4 milhões de crianças receberam alguma dose da imunização contra o coronavírus.
Segundo o Ministério da Saúde, foram repassadas 9,3 milhões de doses da Pfizer infantil aos estados. Além dessa vacina, crianças e adolescentes acima de 6 anos de idade podem receber também a Coronavac, em doses idênticas às de adultos.
Se a única vacina disponível fosse a da Pfizer, isso significaria que menos de 25% das doses teriam chegado aos braços das crianças. Mas considerando a Coronavac a proporção de disponibilidade versus aplicação é ainda menor.

A pasta não tem dados específicos sobre o uso da vacina do Butantan em crianças. Como não houve uma compra específica para essa faixa etária, os estados estão usando a Coronavac que têm em estoque para ampliar a vacinação.
São Paulo foi o único estado que comprou diretamente do laboratório 8 milhões de doses, mas como elas podem ser usadas em qualquer faixa etária a partir de 6 anos, não é possível definir quantas foram disponibilizadas apenas para a vacinação infantil.
O Conselho Nacional de Secretários de Saúde foi procurado para comentar os motivos da demora, mas não respondeu.
Vacinas e fake news
Para o médico Julival Ribeiro, diretor do departamento de infectologia do Hospital de Base de Brasília, um dos problemas para a baixa procura pode ser a campanha de desinformação que atinge redes sociais, gerando dúvidas nos pais.
“Realmente, a gente esperava um número muito maior de crianças vacinadas aqui no Brasil. Eu acho que o que está ocorrendo também é muita fake news em relação às vacinas para as crianças, o que está deixando muitos pais em dúvida em relação à vacina”, afirma. Ele defende que as três esferas de governo realizem campanhas apontando os benefícios da vacinação infantil.
O Bastidor preparou um guia com as principais perguntas e respostas sobre a vacinação infantil.

