A Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen), vinculada ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, enfrenta uma atribulada mudança em sua corregedoria. Servidores apontam que a sucessão no cargo está sendo usada para aparelhar o órgão.

O mandato da corregedora-geral, Marlene Inês, terminou no domingo (13). Inês podia ser reconduzida e pediu para ficar, mas o secretário de Políticas Penais, André Garcia, não aceitou. Indicou para o cargo o agente de Polícia Federal Bruno Fernandes Albuquerque, atual coordenador de Gestão de Pessoas.

Os policiais penais vêem Albuquerque como alinhado à atual cúpula da Senappen. Afirmam que sua entrada é uma tentativa da chefia da Secretaria de aparelhar a corregedoria e evitar incômodos.

No ano passado, o secretário André Garcia, tentou rebaixar o status da corregedoria. Na ocasião, a corregedoria examinava denúncias de assédio moral contra a então diretora-executiva Meirelli Carvalho, exonerada em abril de 2024, e Mayesse Parizi, atual diretora de Cidadania e Alternativas Penais.

Na prática, a redução proposta por Garcia evitaria que as investigações contra integrantes do alto escalão da secretaria tramitasse na corregedoria. A tentativa foi frustrada após Marlene Inês enviar um ofício ao Ministério da Justiça relatando tentativa de interferência da cúpula nas investigações.

Conforme fontes a par das investigações, a denúncia de Inês fez também com que a Controladoria-Geral da União (CGU) assumisse as investigações de assédio moral.

O Bastidor procurou a Senappen por e-mail e ligação por três vezes, mas não houve resposta.