A pretexto de comunicar nesta quarta-feira (16) que o país não voltará a ter horário de verão, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, aproveitou para culpar a todos, fora do governo federal, pelo apagão que ainda afeta cerca de 100 mil domicílios em São Paulo após cinco dias.
Os alvos foram a Enel, distribuidora de energia na cidade; a Agência Nacional de Energia Elétrica, com quem Silveira tem atritos, em especial em temas que envolvem os irmãos Joesley e Wesley Batista; o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, potencial candidato a presidente em 2026; e o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, candidato bolsonarista à reeleição.
A única afirmação concreta de Silveira foi que a energia deverá ser totalmente restabelecida em São Paulo nesta quinta-feira (16). A promessa foi destaca várias vezes pelo ministro, que aproveitou para se colocar como um dos responsáveis pela solução.
Silveira disse que a Enel foi “irresponsável” ao não garantir um prazo para restabelecer a energia. Afirmou ainda que a empresa desconhece a realidade brasileira, ao automatizar boa parte de seus serviços e reduzir o número de funcionários para trabalhar nas ruas.
Segundo o ministro, Tarcísio e Nunes são “demagogos” ao falarem em caducidade da concessão da Enel. O encerramento do contrato de concessão da empresa, segundo Silveira, custaria caro à população. Não mencionou as consequências jurídicas e financeiras para o governo federal, responsável pela concessão.
Silveira afirmou que nunca recebeu Aneel um relatório sobre as condições dos serviços prestados pela Enel, que pediu no ano passado. Com este argumento, o ministro defendeu mudanças nas agências reguladoras e o aumento do controle do governo Lula sobre ex-estatais que abriram capital – seu interesse está na Eletrobras.
Ao final da conversa, o ministro comunicou apenas que ao menos este ano ninguém terá de adiantar os relógios em uma hora e soltou nova promessa aos paulistanos que seguem sem energia.

