O depoimento de hoje na CPI da Pandemia era o de Raimundo Nonato Brasil, mas Andreia Lima (executiva da VTCLog) também respondeu perguntas, mesmo participando da sessão como advogada. Ambos negaram que a empresa pagou dívidas do ex-diretor do Ministério da Saúde Roberto Dias ou que conhecem agentes públicos – apesar de Brasil ter uma fazenda vizinha à do senador Roberto Rocha no Maranhão.

A executiva e o número 2 da empresa de Carlos Alberto de Sá, o Carlinhos, descreveram a VTCLog como uma empresa artesã, de gestão familiar, que faz pagamentos com dinheiro vivo em caixas bancários, inclusive para seus clientes.

Um deles foi Roberto Dias, que deixou R$ 80 mil nas mãos dos empresários para pagar dívidas contraídas às companhias da VTCLog. Segundo Raimundo Brasil, o ex-diretor da Saúde seria “cliente de outra empresa do grupo, a Voetur Turismo”.  

Mas a realidade mostrada pelos senadores foi outra, com a empresa tendo oito contratos junto à Saúde. Um deles, em que a VTCLog cuida da logística da pasta, foi criticado pelos senadores por causa de um aditivo de 25%.

Brasil justificou a medida citando o aumento de demanda trazido pela pandemia. Esse, inclusive, foi o argumento da Saúde para mudar o acordo original de R$ 97 milhões – que passou a ser investigado pelo TCU após o acréscimo.

Esse cenário de milhões condiz mais com as 135 ligações efetuadas entre Andreia e Dias. A executiva da VTCLog confirmou que falava frequentemente com o ex-diretor da Saúde por conta dos contratos com a pasta, mas não soube explicar porque foram registrados apenas contatos realizados aos fins de semana.

Há ainda outros R$ 355 milhões em contratos que serão analisados pela CPI após o colegiado pedir informações à corte de contas. Esses acordos foram firmados sem necessidade de licitação entre 2016 e 2018, período em que Ricardo Barros foi ministro da Saúde.