O grupo majoritário da CPI da Pandemia está de olho na vacância de Augusto Aras à frente da Procuradoria-Geral da República, a quem caberia denunciar o presidente da República a partir do relatório da comissão.

No lugar de Aras, assume, até a sua recondução ao cargo, o vice-presidente do Conselho Superior do Ministério Público Federal, José Bonifácio Borges de Andrada.

Aras aguarda a sabatina e a aprovação de sua recondução pelo Senado. Para ele permanecer no cargo sem deixá-lo até uma decisão do Senado, a recondução precisa acontecer em até um mês.

Há, porém, desde o último fim de semana, com a subida de tom de Jair Bolsonaro contra o Supremo Tribunal Federal, uma articulação para segurar a indicação de André Mendonça para o lugar de Marco Aurélio Mello no STF, e a recondução de Augusto Aras para a PGR.

É nesse intervalo, sem o titular na Procuradoria-Geral da República, que o grupo majoritário da CPI espera entregar seu relatório, em que vai sugerir o indiciamento de Bolsonaro pelos crimes de curandeirismo, contra a saúde pública, prevaricação e de falsificação de documento público.

Somente o PGR, ainda que o interino, pode denunciar o presidente da República. A depender da demora, Bonifácio, adversário de Aras, pode dar lugar a um novo vice-presidente do Conselho Superior do Ministério Público Federal – dificilmente será um aliado do presidente.