Ao se mostrar indignado a ponto de dizer que sua pré-candidatura a presidente estava suspensa até que a bancada do PDT na Câmara revise seu posicionamento em relação à PEC dos Precatórios, Ciro Gomes tenta encontrar um caminho honroso para uma eventual desistência de sua campanha presidencial.
A avaliação é de aliados e de adversários ouvidos por Bastidor.
Como Bastidor mostrou, não é segredo das lideranças partidárias a proximidade de parte da bancada do PDT com o governo de Jair Bolsonaro, que mantém tabelas com a taxa de fidelidade e as respectivas demandas dos deputado.
Um parlamentar do PDT disse ao Bastidor que “o partido sabe como cada deputado se posiciona”. Portanto, disse, ao reclamar publicamente e demonstrar indignação, Ciro busca um discurso, seja para se justificar eleitoralmente, seja para abandonar o barco.
A possibilidade de desistência ainda é considerada improvável. Mas é fato que a afinidade entre a direção do partido, integrantes da legenda com mandato e Ciro Gomes tem sofrido com desgastes.
Dentro do PDT, há muita frustração com o ex-governador. Esperava-se que a esta altura Ciro Gomes já apresentasse uma candidatura mais consistente e competitiva.
Por isso, diz um dirigente da legenda, que o partido aceita pagar a ele um salário de 21,3 mil reais por mês. Mais do que isso. Era por acreditar que haveria mais solidez em seu nome é que o partido topou pagar 250 mil reais por mês ao marqueteiro João Santana, ex de Lula e ex de Dilma Rousseff.
Outro motivo de reclamação interna são os ataques frequentes que Ciro Gomes mantém contra Lula e, mais recentemente, contra Dilma. A avaliação é que o ex-governador ultrapassa limites da crítica e ameaça romper pontes com o PT.
Para um pedetista, citando Leonel Brizola, fundador do PDT, Ciro pode estar costeando o alambrado da desistência da campanha pelo PDT e, para isso, busca um motivo mais honroso.

