Já quase sem esperança de ser indicado por Lula para o Supremo Tribunal Federal, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD), resolveu iniciar os trabalhos para uma eventual candidatura ao governo de Minas Gerais em 2026.

Além de verificar suas chances com o eleitorado, Pacheco tentará construir uma ampla coligação de apoio. Tem mais de três anos para isso.

A mudança é visível. Em geral discreto, Pacheco aproveitou o vacilo do governador do estado, Romeu Zema – que angariou discordância geral ao falar em uma frente contra estados do Norte e Nordeste -, para se declarar contra a postura e fazer um discurso de união. Faturou em cima de Zema.

Pacheco tentará convencer o eleitorado de que uma gestão bem relacionada com o governo federal pode ser melhor para o estado. Conta com o apoio de Lula e avalia a possibilidade de oferecer ao PT a vice numa futura chapa. Ainda assim, tentará atrair eleitores de Zema, que tendem a ser mais conservadores e até apoiadores de Jair Bolsonaro.

Uma equipe política de lideranças locais vai tentar dialogar com setores mais à direita e mais conservadores, especialmente ao sul e no sudoeste de Minas, para diagnosticar resistências e vulnerabilidades de uma candidatura.

O antagonismo desde já tem dupla função. Se a candidatura a governador não decolar, Pacheco terá de defender seu mandato no Senado provavelmente contra o próprio Zema, que não poderá ser candidato à reeleição. As chances são melhores na disputa para o Executivo, avalia um de seus auxiliares.