No próximos dias, a estratégia de desacreditar pesquisas eleitorais será mais utilizada pelo bolsonarismo para manter a militância motivada nas redes sociais. É uma das “saídas raiz” da turma de Jair Bolsonaro para contornar os números desfavoráveis que não melhoram.

Até os levantamentos encomendados pelo PL, partido do presidente, mostram a possibilidade de Lula vencer no primeiro turno – mesma linha do Datafolha da semana passada e de todas as outras pesquisas recentes.

Bolsonaro e seus aliados mais próximos pretendem usar o argumento de que as pesquisas não captam o apoio que ele vê nas ruas. Além de bater de frente com fatos, a ideia ignora o fato de que sempre que um presidente faz um evento público há controles que maquiam a realidade e podem sugerir popularidade.

O PL tem feito pesquisas qualitativas com regularidade e os resultados apontam para uma piora na situação eleitoral do presidente. Bolsonaro tem cada vez menos chances de reverter sua rejeição entre as mulheres, gays, jovens, negros e eleitores que perderam familiares na pandemia.

O levantamento apontou que eleitores desses grupos não veem mais como piadas as declarações machistas, as que banalizaram as mortes em decorrência da Covid, as frases homofóbicas e as que desrespeitaram em algum grau minorias étnicas e sociais.

Foi nesse contexto que o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, apelou – em vão – ao bom senso do presidente nas últimas reuniões. De acordo com um interlocutor presente aos encontros, Bolsonaro prefere fechar os olhos aos resultados dos levantamentos e ouvir os “puxa-saco ideológicos”.