Embora a diplomacia brasileira evidencie sua preocupação com a proporção da resposta israelense à Gaza, o Brasil tenta entender com seus contatos próximos ao Hamas o que quer o grupo com o maior ataque terrorista já feito aos israelenses.

A análise de quem acompanha o conflito para o Itamaraty é que o ataque de sábado (7) contra Israel fugiu ao padrão do Hamas. Também porque o grupo sabe que o poderio militar dos israelenses é imbatível a partir da Faixa de Gaza e que a resposta sempre seria muito superior.

De modo geral, a análise feita por um diplomata brasileiro ao Bastidor é de que o Hamas ganha popularidade ao radicalizar o conflito. É por isso que sempre que se aproxima alguma negociação sobre a questão palestina, o grupo que controla Gaza lança ataques a Israel, num movimento para atrapalhar as conversas, sobretudo com a Autoridade Palestina na Cisjordânia.

A dança, como define o diplomata, favorecia o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, que se fortalece internamente com o medo dos israelenses e com o estado constante de conflito; e o próprio Hamas, que aparece, para os palestinos, como o vingador pelo sofrimento impingido por Israel a Gaza.

No sábado, porém, o ataque foi muito grande. Uma desconfiança é de que o Hamas quer expandir seu território de controle para além de Gaza, ocupando outro território palestino, a Cisjordânia, hoje liderado pela Autoridade Palestina.

É uma desconfiança, porque se avalia que até a provável resposta desproporcional de Israel, com grande número de vítimas em Gaza, poderia se tornar propaganda para que os palestinos na Cisjordânia queiram uma saída radicalizada e rejeitar se sentar para conversar e fazer acordos com o ocidente, como defende a Autoridade Palestina.

De todo modo, o Brasil tentará sensibilizar o Conselho de Segurança da ONU para que se trace uma linha vermelha a partir da qual há o risco de haver consequências imprevisíveis.