A primeira reação da articulação do governo sobre as denúncias reveladas pela Veja de que houve uma tentativa de golpe é de que o Senado deve ficar de fora e deixar tudo com o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.
A história diz que o senador Marcos do Val foi levado ao então presidente Jair Bolsonaro e pressionado pelo deputado Daniel Silveira para ajudar numa trama destinada a gravar Moraes ilegalmente, para induzir uma crise institucional e um golpe contra a posse de Lula.
A avaliação inicial do governo é que se os senadores decidirem investigar as denúncias de Marcos do Val haverá gasto de energia, seja no Senado, seja do governo por meio de sua articulação. Isso atrapalharia coisas mais importantes e urgentes, como a tramitação da reforma tributária e do novo arcabouço fiscal.
A questão de fundo é a de sempre: imprevisibilidade de uma CPI.
Senadores da base, porém, ainda vão discutir se tentam convencer o governo a mudar de posicionamento. Querem seguir o exemplo das investigações tocadas nos Estados Unidos, que revelaram a estrutura econômica e política para a invasão do capitólio em 6 de janeiro de 2021.
O escopo das investigações incluiria os atos golpistas e terroristas do dia 8 de janeiro contra o Congresso Nacional, o Supremo Tribunal Federal e o Palácio do Planalto, além das denúncias trazidas agora por Do Val.

