O governo começou perdendo na CPI das ONGs. A base aliada postergou as suas indicações até a noite de terça-feira, numa tentativa de adiar o início do trabalho. Não adiantou: a comissão começou a funcionar na quarta e a bancada co governo ficou sem cargos na mesa do colegiado. Assim, terá menor poder de influência nos rumos da investigação.
Na véspera da abertura, o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), ainda tentou emplacar o nome de Beto Faro (PT-PA) como relator. Não conseguiu. A relatoria ficou com Marcio Bittar (União Brasil-AC), uma escolha do presidente, Plínio Valério (PSDB-AM). Ambos são oposição ao governo.
O discurso oficial é que não será uma comissão contra o governo. Mas, como mostrou o Bastidor, o objetivo é investigar a atuação das ONGs entre 2002 e 2022, período de 20 anos em que o PT governou por 13.
Os senadores da oposição que participam da CPI recorrem ao antigo discurso antigo de uma conspiração internacional para tomar “riquezas da Amazônia”. Dizem haver reservas de minérios onde são demarcadas terras indígenas e acusam empresas e governos estrangeiros de explorarem as áreas sob o disfarce de ONGs ambientais. A CPI afirma que mais de 370 ONGs atuam só na região do alto do Rio Negro.

