O principal assunto no encontro do presidente Lula com o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), na manhã desta segunda-feira (5) foi uma reforma ministerial para acomodar todos os aliados. Será o mesmo tema da conversa entre o petista e líderes da base aliada ainda hoje.
Lira e o Centrão não escondem que querem uma reforma ministerial, enquanto o governo pensa numa versão menos ampla, apenas algumas substituições.
O Centrão quer que Lula coloque na mesa os ministérios da Saúde e Educação, os dois maiores orçamentos do governo. Quer substituir também os ministros do Turismo e da Integração e Desenvolvimento Regional.
O apetite dos potenciais aliados se choca com a fome do PT, que não aceitará perder dois dos maiores orçamentos da Esplanada: Saúde, comandada por Nísia Trindade, e Educação, que tem à frente Camilo Santana.
Lira não diz abertamente que quer ministérios, mas diante das dificuldades que o governo tem enfrentado na Câmara, pioradas por Lira, um deputado do PT disse ao Bastidor: “E precisa pedir?”
Os casos do Turismo e Desenvolvimento Regional envolvem diretamente o União Brasil. No Turismo, a ministra Daniela do Waguinho está deixando o partido. O da Integração, Waldez Góes, foi indicado pelo senador Davi Alcolumbre.
O líder do partido na Câmara, Elmar Nascimento, já disse que os nomes não tiveram anuência dos deputados. Nem mesmo a escolha por Juscelino Filho para as Comunicações teve o aval da bancada da sigla.
Resolver as pendências do União Brasil, que já conta com três ministérios, tornou-se um problema menor do que abrir espaço para partidos como Republicanos e PP na Esplanada. Isso porque as eventuais entradas podem representar uma perda de espaço de petistas e aliados de esquerda no governo.
O risco de derrota na Câmara durante a votação da Medida Provisória que reestruturou os ministérios tem que representar, segundo petistas da Casa, um divisor de água da relação entre o Palácio do Planalto e o Congresso.

