Integrantes do União Brasil consideram praticamente inevitável uma nova briga entre Luciano Bivar e ACM Neto. Um dos maiores temores no União era que Neto não fosse eleito governador da Bahia, pois assim ele daria mais atenção ao seu cargo de secretário-geral do partido. É o que está acontecendo.

Essa maior participação de ACM Neto vai, invariavelmente, trombar com os objetivos de Bivar, presidente da legenda, segundo fontes do União. A única esperança para fugir dos atritos, afirmam, é Bivar ser ‘engolido’ pelas atividades no Congresso e pelas articulações do Ministério da Integração Nacional, onde emplacou Waldez Góes.

As intrigas e as surpresas já contaminaram o governo Lula. A ministra do Turismo, Daniela do Waguinho, está tendo de explicar o apoio recebido de um miliciano, Juracy Prudêncio, condenado a 22 anos de prisão por assassinato.

O União Brasil se mostrou um problema desde o início. Minutos antes da posse dos ministros, no dia 1º, o partido avisou o PT que não integraria a base do governo no Congresso, mesmo conseguido dois ministérios.

O PT sabe que Bivar não entregará todos os votos do partido no Congresso e que deve desconfiar do aliado.

Bivar e Netá já tiveram confrontos. Como já mostrou o Bastidor, a briga começou com uma tentativa de Neto de enfraquecer Antônio de Rueda, vice-presidente do União Brasil e aliado de Bivar.

Os dois também discordaram em relação à chegada de Sergio Moro. Bivar e ACM Neto trocaram ameaças abertamente, porque o baiano não queria Moro no partido. O ex-juiz acabou com uma cadeira no Senado. A saída equilibrou as pretensões de Bivar – lançar Moro à Presidência – e de ACM Neto, que aceitava apenas uma candidatura a deputado federal.

O risco de conflito entre Luciano Bivar e ACM Neto é grande
O risco de conflito entre Luciano Bivar e ACM Neto é grande Foto: Pedro Ladeira/Folhapress